Por Geovana Barros
Ás transformações no mundo do trabalho dos jornalistas que vêm motivando
(não sem certo tom de perplexidade) uma miríade de incursões em âmbito
teórico ou empírico dedicada a apreender as nuances do fenômeno, nas últimas décadas também
se assinala uma crescente feminização da profissão derivada da entrada
progressiva de mulheres nas redações ao redor do globo. Se em 1995 as jornalistas
representavam 28% dos profissionais do setor em perspectiva global, em 2009 esse
número se elevou para 37%.
É destacada a criação dos filhos como o elemento mais inconciliável com
as jornadas de trabalho. As interlocutoras com dependentes também mencionam terem
sofrido preconceito quando precisaram abandonar suas atividades para se
dedicarem aos cuidados emergenciais com as crianças.
Isso corresponde a um enxugamento ainda mais expressivo dos tempos de
lazer, com sobrecarga de responsabilidades e acentuação de desgaste físico e
psicológico. No Brasil as mulheres gastam em torno de 10 horas a mais que os homens em
trabalhos domésticos: suas jornadas semanais (somando o trabalho principal às
atividades domésticas) correspondem a 50,4 horas, ao passo que os homens trabalham
em média 50,8 horas.
Para além da maior instabilidade no setor, as mulheres jornalistas
também estão mais predispostas a abandonarem seus empregos para se dedicarem
exclusivamente às atividades reprodutivas e sofrem mais entraves quando anseiam se reintegrar
aos quadros funcionais. Este fenômeno é também percebido em outros campos de atuação profissional:
se nos basearmos novamente nos dados da PNAD para 2015 (IBGE, 2016), a taxa
de desocupação geral foi de 9,6%, mas ao tomar o gênero como característica
selecionada, percebe-se que o índice de mulheres desempregadas foi de 11,7%, enquanto que
para os homens a estimativa era de 7,9%.
Então podemos dizer que o maior problema da mulher dentro e fora do
jornalismo é e
sempre foi o machismo, assim impossibilitado a continuidade ou até a
entrada dessa profissão.
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